Tenho pensado muito no contexto religioso do Candomblé, por isso tenho concentrado meus esforços em desmistificar o Candomblé – ainda com paixão- entre os muros do Ilê Iyeiyeo Axé Odé Inlé. Gastado meu tempo com a minha comunidade, transmitido meus valores aqueles que vieram até aqui em busca do sagrado.
Percebi que hoje, com raríssimas exceções, ninguém mais pode se dizer enganado ou vítima de um falso profeta.
Vi e até incentivei meu Babalorixá a dividir de bom grado aquilo que ele conquistou ao longo dos anos. O vi prestar um serviço ao Candomblé e vi esses mesmos valores serem negligenciados por muitos.
A verdade é que as pessoas criaram uma versão fútil de Deus à sua imagem e semelhança, escolheram criar e acreditar em ilusões e deturpações que na verdade lhes agradam ou lhes dão motivo para serem “autônomos” numa pseudo prática religiosa esvaziada de sentido e carregada de vaidade.
O Candomblé nu e cru é sem graça pra quem necessita de glamour ou alguma possibilidade de emancipação social.


