Chega mais um agosto. Talvez o mês mais emblemático do calendário religioso do Candomblé. Mês de Omolu/Obaluaê e embora muito se fale sobre o “banquete do Rei”, a reunião em festa da família desse Orixa, pouco se fala do contexto litúrgico que confere sentido prático à celebração.
O Olubajé é sim uma festa. Cabe alegria, cabe empolgação, afinal também é um momento para celebrar a vida. Contudo, ainda assim, é um ritual e não podemos esquecer disso.
Já disse antes que para os povos antigos Deus era tudo aquilo que fugia à compreensão humana. Tudo o que não se podia explicar, prever ou controlar.
Assim como não se explicava como o sopro da vida era introjetado nos seres humanos, quando o mesmo se esvaía, nossos ancestrais também acreditavam haver uma governança superior sobre esses fenômenos.
Somos seres de carne, ossos e espírito e o homenageado desse festejo em particular tem um papel fundamental no equilíbrio do mundo.
Agosto chegou. Vamos renovar os nossos votos. Refazer as nossas preces para que possamos celebrar a mesma festividade no ano que vem.
Que a doença não faça morada em nossos corpos, que não adentro nossos lares e que não seja a nossa vez.


